2008-06-15

A EDP e o Futebol

Uma das técnicas mais usadas pelos assessores de comunicação é passar informação negativa aos media no momento em que as redacções dos orgãos de comunicação estão fechadas e as atenções do país estão viradas para o futebol ou qualquer outro grande momento de distracção.

Não sei se foi o caso de hoje, dia de domingo e dia de jogo de Portugal-Suiça no Euro 2008, pois fiquei extremamente surpreendido ao ouvir na Rádio Clube que a EDP, não conseguindo cobrar dívidas a determinados clientes, terá conseguido arranjar maneira legal de apresentar a conta aos restantes que pagam a tempo e horas as suas contas, evidentemente com a complacência do Estado.

Temo que possa ter entendido mal o insólito desta notícia e pensei duas vezes se hoje é 1 de Abril, o hediondo dia das mentiras mas, a ser verdade esta informação de que a EDP vai cobrar 1 euro a cada cliente para pagar as dívidas dos caloteiros, tratar-se-á de uma profunda ilegalidade e um incentivo para que mais outros deixem de pagar.

Digo "ilegalidade" no sentido moral, porque eles sabem fazer as coisas: este tipo de manobras são bem pensadas e as leis são vistas como algo "absolutamente relativo".

Esta prática faz-me lembrar o dia em que a EDP, não conseguindo cobrar ao anterior proprietário da minha casa, fez o favor de colocar quase mil euros a mais na minha conta, depois de 12 meses de pagamentos por estimativa. Se ninguém dissesse nada, era eu que "inchava".

Ontem também soube que a Portugal Telecom continua com uma prática antiga: a de ignorar os pedidos de rescisão de contratos dos seus clientes e a continuar a cobrar mês após mês com cartas ameaçadoras dos seus advogados. Rescindir o meu contrato com a PT demorou cerca de 8 meses, com cartas registadas, visitas às lojas da PT Comunicações e processos pouco transparentes como a ausência total de documentos. Continua, portanto, a pouca vergonha...

A vigarice institucional é a vergonha deste país. A cultura do "carneirismo" tem que acabar e precisamos de cidadãos que vigiam as instituições e as suas dúbias manobras. E da Galp nem falo...

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