2008-09-24

As 10 Coisas Mais Estúpidas do Software Livre


Aqui no Tecnologa somos defensores irascíveis do Software Livre. Mas o nosso espírito crítico é mais forte! Então, conforme prometido, hoje terminamos a série das «Coisas Mais Estúpidas» com as 10 Coisas Mais Estúpidas do Software Livre - ou, pelo menos, as que achamos boas candidatas:

Estupidez 1: Desinstalar um pacote faz desinstalar a maior parte do sistema! Assim desaparece toda a interface gráfica só porque o senhor queria remover um controlador de impressora: «Hi all, I was removing cupsys as I have no printer installed. While removing cupsys it also removed ubuntu-desktop as well as Scribus». Na verdade é possível remover pacotes da selecção do software a desinstalar, mas trata-se de uma ideia pouco intuitiva e demora-se quase meia hora a ler os pacotes individualmente até desmarcarmos os que não queremos que saiam do sistema...

Estupidez 2: Centenas de programas para fazer a mesma coisa. Pelo menos o Vista é coerente pela relativa simplicidade. Em contraste, nas distribuições de GNU/Linux persiste a mania de colocar velharias só por motivos históricos e para agradar a alguns, ou software muito instável e inútil só porque é novidade. Algumas distribuições tentam corrigir isso, tanto do ponto de vista do utilizador final (ZenWalk) como do lado técnico (Archlinux).

Porquê dizer isto? É que algumas distribuições mainstream cometem esse erro. Instalar um Kubuntu Desktop é colocar a Feira de Espinho no nosso disco, com quase tudo aquilo que não interessa!

Estupidez 3: Deixar tudo na versão beta! São poucos os projectos de saem do fundo do quintal. Os programadores open source deixam muito software inacabado e profissionalmente inutilizável e, pior do que isso, feito de uma forma que lhes agradou pessoalmente mas que não serve de muito aos outros. Ei, mas é de graça, portanto não se pode reclamar - se não servir a nós pelo menos teoricamente servirá a outros! Só que o pior de tudo é que o software é distribuído mesmo que esteja a meter água por todos os cantos... é que assim alguém, entre as dezenas de milhar que instalaram esse "mono" para ter o trabalho de o desinstalar outra vez, haverá dois ou três que gostam da ideia e têm tempo para o melhorar!

Estupidez 4: Usar ferramentas piores só porque são Software Livre. Um exemplo: para desenvolvimento de aplicações empresariais com interface Desktop a plataforma .NET em Windows, até ao momento e em boa parte dos casos, será a melhor. Mas, eis que aí vem o fiel do culto do Pinguim Sentado: agarra-se ao emacs e ao vim, programa em C++ com Qt ou GTK sem um IDE minimamente decente para esse efeito específico e ali fica a gastar tempo precioso.

Estupidez 5: Adaptar a empresa ao software Open Source empacotado. Quando se trata de aplicações de gestão empresarial, não é a empresa que se deve adaptar ao software, mas é este que deve ser criado para a cultura própria da empresa. Por isso, se já aderiu ao SugarCRM ou coisa parecida os meus sinceros pêsames! Pois, nesse caso ou noutros, terá um belíssimo sistema pesado até ao limite e que só faz uma pequena percentagem do que você precisa, e de maneiras estranhas à sua empresa. Claro, depois terá que contratar um fornecedor especializado para desenvolver e adicionar módulos que façam o que era suposto o sistema fazer! Lembra-se de ficar fascinado com a ideia de que o Software Livre era de graça?! Tarde demais!

Estupidez 6: O pesadelo dos controladores! Os fabricantes de hardware e periféricos estão vendidos ao diabo ou ao comodismo, por isso antes de comprar uma placa não sei de quê não esqueça de ir à web verificar se é compatível com o seu sistema. Trabalho acrescido... pois é, a liberdade paga-se!

Estupidez 7: Sistema de ficheiros é uma confusão! O Linux é assim: em alguns casos, para ter um software a funcionar, os ficheiros ficam espalhados pelo disco... É no /var, é no /usr... A única lógica era ter cada software num só directório, mas os engenheiros gostam de complicar tudo! Vá lá que em Linux não existe o hediondo "Registo do Sistema", mas bem que esse esquema de ficheiros podia ser revisto, porque não corresponde mais à realidade dos nossos dias.

Estupidez 8: Inovação insuficiente na Internet. Sim, a inovação nunca é demais, e seria um sonho ver que o GNU/Linux e o Software Livre em geral fossem também pioneiros em lançar a solução para alguns dos maiores problemas da Internet: provavelmente o maior é o caquético Email. É preciso quebrar a tradição e criar um Email para o Século XXI. É preciso criar um substituto para a HTML e reinventar a web sem o nojo do AJAX nem as cicatrizes dos anos 90. Nestas coisas, o conformismo tem vencido mas esperemos que seja por pouco tempo.

Estupidez 9: Macaquices de imitação. Muito do software livre é imitação - não é mau por esse facto, pois a ideia de ajudar as pessoas a fazerem uma transição mais suave para o mundo livre é sempre boa. Mas quem só imita vai sempre atrás. Repare-se no - curiosamente chamado - Mono que, a la "macaquinho de imitação" e para alegria do seu patrocinador - a Microsoft via Novell -, vê-se que nunca chegará ao nível do original e, por mais que o macaco evolua, vai andar sempre atrás. O seu IDE mais desenvolvido, o MonoDevelop, nunca chegará a um Visual Studio e a evolução da plataforma Mono provavelmente será propositadamente gerida para ficar sempre atrás, mantendo o rebanho de "developers developers developers" controlado e o território bem ocupado.

Estupidez 10: Portugal quase fora do circuito internacional. Com algumas excepções muito honrosas, os portugueses estão quase totalmente de fora de tudo o que mexe no Software Livre. Basta dizer que ainda é difícil encontrar software livre traduzido para português de Portugal. As equipas internacionais raramente contam com um português, as listas de mirrors para descarregar software raramente têm servidores locais em Portugal. Valha-nos algumas universidades e instituições públicas, a ANSOL e o Linux Caixa Mágica. Algumas empresas portuguesas, como a IportalMais, já se encontram a dar cartas no mercado internacional com soluções baseadas em GNU/Linux.

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