2008-11-30

O Instant Messaging e a Miopia da Administração

A diferença óbvia entre usar o telefone e o Instant Messaging é que podemos ir falando com quem precisamos ao longo do dia sem necessidade de "fazer chamadas", simplesmente deixando a mensagem caso a pessoa não esteja disponível. Outra vantagem óbvia é que, em dado momento, sabemos se a pessoa está ocupada, ausente ou disponível antes mesmo de a contactar.

Este meio-termo entre estar em contacto e não estar, entre estar disponível ou não é útil - a comunicação entre profissionais é mais fluída, com menos stress, mais produtiva, além de criar um registo escrito com o histórico da conversa e dados úteis entretanto trocados, como números de telefone, endereços web, etc.

Em cidades mais evoluídas como Shangai já pouca gente usa até o email, considerando-o pouco prático e aborrecido. A rede de comunicações funciona 24 horas por dia por Instant Messaging. A velha rede POTS (Plain Old Telephone System) tem os dias contados...

Mas o que é óbvio para nós não o é para as ronceiras administrações de muitas empresas portuguesas. Quando o Instant Messaging se massificou, desde logo baniram o serviço das suas redes internas alegando que os funcionários estavam a brincar em hora de trabalho. E é verdade que estavam. Estavam a brincar, aprendendo como funciona um meio de comunicação muito mais eficaz e que poupa milhões. O resultado disso é que impediram os funcionários de evoluir, e especialmente impediram aqueles que iam precisar de mais tempo para se adaptarem. A factura está aí: milhões de profissionais são trôpegos a fazer coisas tão simples como adicionar um contacto ao Messenger.

Fruto dessa miopia, o Instant Messaging ainda é visto em alguns locais como uma coisa para adolescentes. Mas há que ter confiança nas novas gerações: os próximos dez anos vão certamente arrumar com essa ideia, em especial quando os administradores mais "deslocados do mundo" se reformarem.

Ironicamente muitos deles, que nem hoje sabem qual é a diferença entre Web e Internet, diziam que as pessoas ligadas às tecnologias de informação viviam fora do mundo - num mundo "virtual".

É fácil chamarmos de "virtual" àquilo que não compreendemos.

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