2008-12-29

Fantasias de Natal

Com aquela coisa de ser simpático, cumprimentei o senhor do café com um «Viva! O Natal foi bom?». A resposta, após um silêncio indeciso: «...Já passou...». A minha vizinha não deu melhor resposta: «Olhe, não gosto... com a família dividida...».

Na blogosfera o sentimento anti-Natal é bem presente com artigos de gente que só quer ver esta época pelas costas. Um artigo da BBC explica que uma das poucas maneiras de escapar ao Natal é ir para a cadeia, onde não há celebrações e é proibido trocar prendas, excepto na Irlanda do Norte, onde os prisioneiros são mandados para casa festejar.

No Yahoo Answers, uma utilizadora pede conselho sobre como fugir de um jantar de Natal. Uma blogger lisboeta recolhe uma lista de recursos anti-Natal. Noutro site, o Santapult, pode-se aceder a um pequeno jogo para catapultar o Pai Natal ou ainda obter postais de natal fálicos.

O movimento já não é novo. Os Monty Python (que parodiaram a vida de Cristo através de um vizinho seu, Brian, nascido de uma mulher que engravidou de um soldado romano), já tinham uma canção onde chamavam explorador laboral e pedófilo ao Pai Natal...




Sabemos a origem disto. O Natal é coisa para famílias grandes, tradicionais, e de preferência que cultivem a fantasia católica. Conforme explica um artigo do Daily Telegraph, o estilo de vida moderno torna desejável ter nenhum ou apenas um filho, algo que antigamente era olhado com pena.

Para próximo ano já estou avisado... Pessoas sozinhas, famílias divididas, ausência de crianças, tudo isso agora é norma e não é preciso estigmatizar mais as pessoas. A começar por mim, que penso duas vezes em sair à rua e nem me passa pela cabeça entrar num shopping.

Além disso agradar-me-ia pouco celebrar uma coisa que, sinceramente, já ninguém sabe o que é. Há coisas bem mais interessantes a fazer.

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