2009-01-02

Ano 2009: O Ocaso do Sistema

Nascem na web. Juntam pessoas com interesses comuns em criar uma sociedade decente. Mas este Movimento, "Vamos tentar Mudar", bem pode ser aquele que há muito era preciso: o movimento dos cidadãos enojados com os vícios da Política e dos políticos e que vivem diariamente a vontade de transformar a sociedade portuguesa numa sociedade justa.

Escândalos financeiros, desigualdade social atroz, corrupção ao mais alto nível e quantidade, poderiam ser atributos de um qualquer país subdesenvolvido no continente africano. Mas não. É mesmo Portugal e muitos cidadãos já estão fartos.

São cidadãos inteligentes, preocupados, participativos, sem vaidades nem ambição de protagonismo, mas sobretudo com a ambição de não deixar que sejam cometidos os erros do passado. Proclamam o ocaso do velho sistema. O "Vamos Tentar Mudar" sintetiza assim a sua existência:

«Somos um grupo aleatório de cidadãos que não se revê nos partidos políticos actuais. Governam segundo a sua vontade e não segundo a vontade dos cidadãos. Criticar quem governa ou votar em branco não basta. Temos de fazer a nossa parte, por mais pequena que seja, para tentar ajudar a construir um futuro melhor. Para tentar mudar este estado de coisas, estamos a tentar criar um Movimento em que as Medidas defendidas sejam propostas pelos cidadãos e aprovadas pelos cidadãos. Ao mesmo tempo lutamos por uma sociedade mais justa, simples, humilde e solidária.»

O Movimento tem um grupo de discussão. Nuno Pereira, um novo membro que se apresenta pela primeira vez, sintetiza o espírito que já é de muita gente:

«Caros concidadãos, (...)

1. Estou absolutamente convencido que nos encontramos num fim de ciclo, confrontados com regimes caducos, que já não dão resposta aos complexos problemas que a sociedade nos coloca;

2. A sociedade egoísta e esquizofrénica que construímos arrastou-nos para uma encruzilhada. Que os sistemas políticos, testados no passado e que vigoram no presente, são visivelmente incapazes de solucionar;

3. Julgo ser tempo de reinventar a organização politico-social que nos oprime, com novas formas de intervenção, novos modelos, construidos de raíz por gente tecnicamente competente, de insuspeitas e inabaláveis convicções, exterior ao «sistema» vigente.

4. É tempo de voltar às tertúlias, às conversas de café, às reuniões políticas espontâneas. De nos reorganizarmos e reunirmos a verdadeira elite cultural e intelectual que se esconde na juventude, timidez ou irreverência de tantos de nós.

5. De construirmos de novo a esperança nos nossos filhos e apelarmos aos valores básicos, de que nunca nos deveríamos ter afastado: o que nos completa e liberta é o prazer de contribuírmos para o bem dos que nos são semelhantes. Da nossa família mais estrita ao nosso lugar na sociedade. Todos somos únicos e como tal indispensáveis. (...) »

Um pouco mais tarde vem uma resposta. Vítor Mendes diz: «Acrescentaria só no ponto 3 "participados e aprovados pela maioria dos portugueses". Pois nunca é fácil haver consenso quanto à nomeação dessa "gente tecnicamente competente, de insuspeitas e inabaláveis convicções, exterior ao «sistema» vigente."»

A fantasia necessária

Sem querer entrar em radicalismos, posso no entanto perguntar: até que ponto somos representados pelos nossos actuais representantes? Será que eles sequer nos representam? O mais caricato é que a maior parte dos cidadãos pode mesmo perguntar: quem são eles? Por onde andam e o que fazem?

Acredito que a representatividade é até certo ponto uma fantasia necessária, mas o problema é que é uma fantasia que não funciona. É portanto altura de percebermos se o Estado está efectivamente a servir os cidadãos ou o que anda a fazer.

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