2012-01-15

Imagens pirata: O seu site está em risco, e a sua bolsa também

Se é webmaster ou é proprietário de um site deverá conhecer o esquema de funcionamento dos bancos de imagens. Deverá saber que é um risco recorrer a serviços amadores de produção e manutenção de conteúdos na web e que é um risco enorme "sacar" imagens da web.

E deverá saber que existe um negócio socialmente imoral e sujo, típico de gangsters e mafiosos, praticado pelas empresas de banco de imagens ("imagens stock") que pode destruir totalmente o seu site e levá-lo a pagar somas astronómicas.

A ingenuidade dos utilizadores vem do tempo em que a net era livre: toda a gente partilhava informação, copiava e alterava à vontade. Graças a uma política de recusa ativa consegui ficar longe de problemas. Mas tenho tido notícias desagradáveis sobre o que se está a passar no mercado português.

Com o desenvolvimento e profissionalização da web surgiram sites comerciais e gigantes que têm um negócio legal mas totalmente imoral.

As empresas de banco de imagens correm um negócio de propriedade intelectual, representando autores: fotógrafos, ilustradores e produtores de vídeo vendem o direito de uso não-exclusivos desses conteúdos. Se você tira uma foto é autor e define em que condições as outras pessoas podem usar o seu produto criativo. Como autor pode pôr à venda o seu produto criativo numa dessas empresas, que servem de intermediárias com o cliente final.

Negócio de conteúdos ou negócio jurídico?

Se você, proprietário de um site, usa uma imagem não licenciada, a empresa é notificada por fornecedores-polícia (empresas que monitorizam as imagens na net) e vem sobre si exigindo um pagamento de cerca de 12 a 15 vezes mais o preço que pagaria pelo uso da imagem. São as regras que você não conhece!

Assim, o negócio dos bancos de imagem é mais um negócio jurídico do que um negócio de conteúdos: embora tenham razão em termos legais - você usa indevidamente uma imagem e tem que pagar por isso -, o facto é que usam a lei para extorquir dinheiro às pessoas porque o valor exigido é muito superior ao preço da imagem mais um valor de "coima". Mais: os bancos de imagens usam a lei para fazer uma política de "paga o justo pelo pecador", pois quem copiou indevidamente uma imagem vai pagar por 12 pessoas que tiveram comportamento abusivo.

Mas a história ainda não termina aqui. Muitos proprietátios de sites são conscientes e pagam os direitos de uso de imagens. Não adianta nada porque se esquecem de ler as letras pequeninas: é que muitas vezes o direito de uso dessas imagens está limitado a um período específico, por exemplo um ano.

Tomando isso à letra, ou os custos de manutenção de um site aumentam espetacularmente, ou os conteúdos do site ficam quebrados porque é preciso remover as imagens. Não é possível uma web saudável com esta situação.

Eles manipulam as regras debaixo do seu nariz. Cuidado com os bancos de imagens!

E mais uma vez, de boa fé ou distraído o utilizador cai na armadilha bem montada. O negócio sujo dos bancos de imagens é criar ratoeiras às pessoas, sabendo que na maior parte dos casos as pessoas não entendem as condições do negócio.

É um negócio sujo porquê? Porque é socialmente imoral usar a ignorância das pessoas para forçar lucro injusto. É socialmente patológico criar uma máquina de dinheiro com regras lesivas para a sociedade.

Valorização artificial pela promoção da escassez

Já reparou, ao passar numa loja de DVD, que encontra filmes antigos, com 50 e 60 anos, a preço bem puxado? É que a propriedade intelectual é um dos maiores negócios do mundo e rende ao longo de muitas décadas.

Muitos conteúdos desaparecem do mercado mas continuam a ser geridos. Voltam "requentados" e reembrulhados passado 25 anos, como as pirosas sapatilhas, bolsas ou óculos que se usavam nos anos 80 reapareceram perante os olhos estupefactos dos mais velhos, que tinham deixado de usar esses designs por acharem ridículo e ultrapassado.

O negócio dos bancos de imagens é vender a mesma imagem centenas ou milhares de vezes. Mas se a imagem ficar demasiado usada e conhecida no mercado perde valor, é considerada desatualizada, antiga, etc., e só passado 25 anos, quando a geração se renova, volta a ter valor como objeto "vintage".

Ao licenciar a imagem por um ano, os bancos de imagens têm dupla vantagem: podem carregar legalmente sobre o cliente extorquindo-lhe 15x o valor da imagem e podem, mesmo que não consigam provar em tribunal que o utilizador a tinha num site, assustá-lo e fazer com que remova imediatamente a imagem do site, criando assim escassez, raridade que valoriza de novo uma imagem que de outra forma era lixo digital.

Algumas imagens são perfeitamente ridículas e sem qualquer valor, mas lei é lei, e os bancos de imagem têm um departamento jurídico jeitoso.


Não entre no jogo: não use imagens copiadas da net e não alimente o negócio dos bancos de imagens. Produza fotos originais e desenhe o seu projeto de web com imagens próprias e adapte-o para não precisar de recorrer a empresas sociopatas.

O assunto dos direitos de autor não vai ficar por aqui. Por isso outro conselho é este: tenha muito cuidado com o que partilha nas redes sociais, pois pode estar a infringir direitos de autor. O seu histórico de atividade está a ser cuidadosamente registado e um dia poderá ser chamado a pagar somas brutais.

A grande ratoeira está montada. Você facilmente será uma marionete nas mãos deles.

Sem comentários:

Enviar um comentário