2012-04-20

Lojas de informática boicotam Linux

A Exame Informática reporta que "a Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas (ESOP) está a ponderar apresentar uma queixa contra as cadeias de lojas de informática portuguesa por alegado boicote do Linux."

O tema é pertinente.


Do lado das cadeias de retalho, o argumento é que o consumidor necessita de ser mais literado em tecnologia para usar Linux. Isso é totalmente falso.

O grau de literacia de um consumidor de informática é pouco maior do que o de um orangotango, mesmo em relação ao Windows.

O utilizador nem percebe que está a comprar Windows, não sabe a diferença entre sistema e programas, entra em pânico quando lhe aparece publicidade enganosa a dizer que o computador está em risco, não sabe usar email, não percebe que tem que fazer backups...

Enfim, o utilizador só percebe que está a comprar um computador, que aquilo liga à Internet e que tem que o pagar como faria perante um saco de batata vermelha.

Posto isto vamos à questão...

O problema não é o Linux. É a obrigatoriedade de comprar Windows quando se compra um computador.

Os computadores que se encontram nas lojas são máquinas genéricas com processadores de uso genérico, em contraste com DSP e outros chips especializados de uso profissional e industrial. Para funcionar, um computador não precisa necessariamente de "sistema operativo", apenas de um programa próprio para o seu processador.

Devido a esta natureza, que remonta aliás aos primórdios da computação e faz com que um computador seja um artefacto histórico único, obrigar a pagar Windows será uma prática que deve ser legalmente moldada como anticoncorrencial, altamente lesiva do consumidor, e um perfeito disparate.

Lembremo-nos que a ignorância e ausência de escolha fez milhões de pessoas comprar alguns dos piores sistemas operativos de sempre, o Windows 98 e o Windows Vista.

Hoje em dia, quem critica o Linux é porque não o usa diariamente, especialmente distribuições como Ubuntu, que até gastam 80% dos recursos da máquina a desenhar bonecadas para o utilizador achar giro. Os pacotes de Office, onde o Linux era menos forte, estão inclusivé a entrar em desuso.


Se as lojas fossem socialmente responsáveis até aproveitavam para se diferenciar junto do consumidor e diziam "Olhe, quer escolher um destes sistemas operativos para instalar em casa? Tem aqui o Ubuntu, o Fedora ou o Windows".

As lojas podem fazer cópias do Ubuntu ou Fedora e vendê-las legalmente sem qualquer formalidade prévia. Se a questão é o "grátis" ser depreciativo, basta pôr um preço e pronto.

Mas não, nesse tipo de ambiente os neurónios são uma coisa que não lhes assiste. E nem lhes passa na cabeça que o sistema de instalação de software no Linux é anos-luz mais avançado.

Então a solução é ceder ao esquemazinho da Microsoft, que consegue ter teclas com símbolo próprio, licenciar logótipos, obrigar o pagode a pagar-lhe "impostos" e manter uma comunidade de engenheiros transformados em meros power-users.

Os computadores devem ser vendidos sempre sem qualquer sistema operativo. Para bem de todos.

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