2013-02-24

Linux Radical Parte III: Comparar LFS, Gentoo e Arch Linux

Gentoo Linux é a terceira distribuição Linux que vamos rever e possui também as suas potencialidades.

Nos posts anteriores desta série vimos o Arch Linux e o LFS (Linux From Scratch).

A primeira coisa que descobrimos é que Gentoo é de longe a distro mais difícil de instalar!

A ideia é aprendermos alguma coisa com o processo. Mas, será que iremos aprender mais com o Gentoo do que com o Arch?

Existem várias opções para iniciar a instalação - optamos por uma imagem com sistema Gentoo mínimo que, com acesso à net, é usado para realizar a instalação de todo o sistema.

O processo tem algumas semelhanças com o Arch Linux, mas este último é mais fácil de instalar. A grande vantagem do Gentoo é a capacidade de otimização, já que todo o código é compilado durante o processo de instalação.

Agora ficamos em dúvida se é Gentoo ou LFS a distro mais radical de todas!

Com o Virtualbox, criamos uma nova máquina indicando o ficheiro ISO como CD-ROM virtual introduzido no leitor.

O primeiro passo, obtendo a linha de comandos, é aceder à net.

Automaticamente tivemos acesso à net via eth0, embora o computador hospedeiro esteja conetado via wireless em wlan0.

Caso não fosse possível, o comando net-setup eth0 ajudaria.

Para quem tem ligação ADSL e necessita de configurar, os comandos são:

pppoe-setup
pppoe-start


Segue-se a preparação do disco onde será instalado o sistema. Num ambiente Linux moderno, os discos SCSI e Serial ATA, e mesmo IDE, são representados em /dev/sda, /dev/sdb, etc.

Antigamente os discos IDE surgiam em /dev/hd* mas com novo framework no kernel (libata), a designação foi normalizada.

O disco pode ser usado na sua totalidade, mas é normal particioná-lo em vários dispositivos, chamados partições.

As partições recomendadas são:

Uma partição de inicialização /dev/sda1 com sistema de ficheiros ext2, tamanho 32MB.

Uma partição /dev/sda2 de 512M para swap (gravação temporária quando a memória RAM não é suficiente)

E uma partição /dev/sda3 de sistema ext4 para o resto do disco. Esta partição terá o sistema operativo e dados.

Pode-se usar o fdisk ou o parted, mas vamos usar o cfdisk. Ao ser chamado, mostra em cima o nosso disco /dev/sda:

(Entrar no cfdisk:)

cfdisk ENTER


(Criar primeira partição:)

ENTER ENTER
32
ENTER ENTER ENTER


(Segunda:)

CURSOR-DOWN
ENTER ENTER
512
ENTER ENTER
CURSOR-RIGHT (6x até "Type")
ENTER
82 (Linux Swap / Solaris)
ENTER


(Terceira:)

CURSOR-DOWN
ENTER
ENTER
ENTER


(Gravar:)

CURSOR-LEFT (até "Write")
ENTER
yes
ENTER


(Sair:)

CURSOR-RIGHT (até "Quit")


De seguida, temos que criar os sistemas de ficheiros. Cada partição é apenas uma divisão lógica do disco e necessita de ser formatada.

Para a partição boot:

mkfs.ext2 /dev/sda1


Para a partição de sistema e dados:

mkfs.ext4 /dev/sda3

E para ativar a partição de swap:

mkswap /dev/sda2
swapon /dev/sda2


O disco está preparado!

Agora temos que montar as partições. Em Linux não existem letras de drive como no Windows (C:, D: etc), apenas uma única hierarquia de ficheiros.

Um sistema de ficheiros é montado num diretório existente. Para isso podemos criar diretórios vazios e associá-los a dispositivos.

Normalmente, os discos montam-se dentro do diretório /mnt:

mount /dev/sda3 /mnt/gentoo

mkdir /mnt/gentoo/boot
mount /dev/sda1 /mnt/gentoo/boot


Criamos por acaso o diretório /mnt/gentoo pois não existia.

Antes de passarmos a copiar os ficheiros para o novo espaço, convém ver como está a data:

date

Se estiver errada, convém corrigir, usando o seguinte formato:

date MMDDhhmmYYYY

MMDDhhmmYYYY significa: mês em 2 dígitos, dia em dois dígitos, hora em 2 dígitos, minuto em 2 dígitos e ano em 4 dígitos.

Saltamos para o diretório no disco novo:

cd /mnt/gentoo

Isto é para descompactar o arquivo que iremos buscar à net.

Uma "checada" na arquitetura do nosso pc para escolhermos o file certo para baixar.

uname -r


O nosso pc é um i686.

Usamos um navegador web de texto para ir buscar os arquivos:

links http://www.gentoo.org/main/en/mirrors.xml

Com as teclas CURSOR, localizamos um mirror geograficamente mais próximo, no nosso caso o Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Normalmente os http são mais rápidos.

Pressionando ENTER, entramos no servidor do instituto para descarregar a "stage3 tarball".

No nosso caso escolhemos a pasta x86 e depois current-stage3.

O nosso arquivo é o stage3-i686-20121213.tar.bz2 correspondendo à arquitetura do computador que vimos atrás.

Com o arquivo selecionado e um ENTER, temos a opção de o baixar para o diretório /mnt/gentoo

São apenas 147 MB.

Para sair do Links, teclas q ENTER

Se fizermos um ls temos aqui o file. Descompacta-se assim:

tar xvjpf stage3-*.tar.bz2

(use a tecla Tab para completar nomes de ficheiros, por exemplo ao escrever stage pressione a tecla Tab)

Uma quantidade de arquivos serão listados à medida que são descompactados.

Passo seguinte: otimizar as opções de compilação.

É aqui que vemos a diferença do Gentoo. Os arquivos que baixamos são código fonte e terão que ser compilados!

Vamos editar um arquivo com o nano:

nano -w /mnt/gentoo/etc/portage/make.conf

Nas CFLAGS, que são parâmetros para o compilador, o -O2 (é letra Ó e não zero) significa o grau de otimização para velocidade. Não vamos mexer aqui porque é o valor ideal.

Para sistemas com muito pouca memória é aconselhável remover o parâmetro -pipe pois ele faz usar pipes nas fases de compilação em vez de arquivos temporários, o que gasta memória e pode quebrar o compilador (gcc).

A arquitetura está correta, é o i686, por isso nada a fazer mais. Saímos do nano com CTRL X

Tudo pronto para a instalação do sistema base, mas antes é melhor escolher um mirror.

O sistema ativo tem uma ferramenta para isso:

mirrorselect -i -o >> /mnt/gentoo/etc/portage/make.conf

Em alternativa, para escolher um mirror de rsync, usar:

mirrorselect -i -r -o >> /mnt/gentoo/etc/portage/make.conf

(basta usar as teclas CURSOR-DOWN e ESPAÇO para selecionar um mirror próximos de nós)

Com ENTER saimos e a ferramenta configura automaticamente.

Checa-se com ...

nano mnt/gentoo/etc/portage/make.conf

Ao fim surge uma linha adicionada com o nosso mirror.

Estamos prestes a entrar no novo sistema, mas antes é preciso copiar a informação de DNS. Isto é para garantir que vamos manter conetividade:

cp -L /etc/resolv.conf /mnt/gentoo/etc/


E também, para garantir que o ambiente vai funcionar bem, temos que montar os diretórios /proc e /dev

mount -t proc none /mnt/gentoo/proc
mount --rbind /sys /mnt/gentoo/sys
mount --rbind /dev /mnt/gentoo/dev


É agora!

chroot /mnt/gentoo /bin/bash
source /etc/profile
export PS1="(chroot) $PS1"


Isto quer dizer que já estamos no sistema novo, embora a instalação ainda não terminou.

Altura de configurar o Portage. Portage é o gestor de pacotes do Gentoo, a ferramenta que gere quase todo o software instalado.

Ao instalarmos um snapshot de Portage, vamos estar a informar a ferramenta dos títulos de software disponíveis para instalar. A lista varia com o passar do tempo.

É recomendado usar emerge-webrsync para isso:

mkdir /usr/portage
emerge-webrsync


Uma série de arquivos são baixados.

De seguida podemos selecionar que perfil queremos para o sistema, em especial se queremos um sistema desktop ou server:

eselect profile list
eselect profile set 2


Com isto selecionamos um sistema desktop.

A instalação demora! Continuaremos o processo noutro dia.
Entretanto, votos de bom Linux!

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